A justificação pela Fé

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

"Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça." Romanos 4:5.

O versículo acima fala a respeito da fé e o peso que ela tem, e o mais importante, fala de um Deus Justo: 
O Deus que justifica o ímpio.

Muitas vezes, nós como cristãos, nos apresentamos como "os mais certos e santos" do que a sociedade, nos achamos "donos da verdade" e até nos enchemos de méritos simplesmente porque buscamos fazer o certo, quando, na verdade, não é para isso que o Evangelho atenta. A epístola de Paulo aos Romanos nos fala basicamente que a nossa fé em Cristo Jesus é o que nos justifica. Logo, o que fazemos ou deixamos de fazer não importa, pois o que na verdade importa é a FÉ!

É impressionante o fato de um Deus Soberano não somente justificar, mas fazer questão de declarar ser "O Deus que justifica o ímpio", ou seja, o Deus que defende o pecador. Se Deus, que é puro, justo e soberano, faz questão de defender os pecadores, então qual a razão de nós, embora seguidores d´Ele mas igualmente pecadores, nos exaltarmos tanto?

Em Romanos 3:23,24 diz: "Porque TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados GRATUITAMENTE pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus".

O Apóstolo Paulo, com esse versículo, nos faz entender que a única coisa que nos diferencia dos ímpios é o fato de crermos em Cristo, e por isso somos purificados todos os dias, uma vez que fomos feitos filhos de Deus (João 1:12). Somos justificados não por méritos, mas pela Graça. Não há nada que venha de nós, nem o fato de crermos n´Ele, pois foi Ele quem nos convenceu (João 16:8).

Se você creu em Jesus, e o recebeu como único e suficiente Salvador, então você já é um filho de Deus, mas, sabendo que se tornou um filho d´Ele não por obras ou mérito, mas unicamente porque a Graça d´Ele te alcançou, e por meio de nossa fé, Ele nos justifica.

Marcela Cardoso
Creio No Amanhã

5 Razões Para Cantar Hinos Antigos

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016


Antes de entrar no assunto, devo assumir desde já o meu “pré-conceito”. Tenho uma predileção assumida e quase que absoluta por hinos antigos. Não sou contra corinhos e canções contemporâneas, mas há algo dos hinos que parece falar mais ao meu coração que as composições atuais. Desde já quero deixar claro que o que escrevo não é uma exortação, muito menos algo que deva ser tomado como regra. Quero apenas ressaltar composições que não recebem o devido valor, pois uma devida atenção aos hinos “antigos” é necessária e traz tremenda riqueza e benefício não só para o canto congregacional como para a vida devocional de cada cristão. Aqui estão cinco razões pelas quais devemos cantar e valorizar os antigos hinos da Igreja:

Os hinos, em sua maioria quase absoluta, têm um conteúdo superior às composições contemporâneas

Essa afirmação não é uma avaliação doutrinária ou uma crítica às tendências e ênfases de cada época, muito menos uma tentativa de menosprezar a produção musical contemporânea. Há várias ótimas composições atuais que merecem ser incluídas no nosso louvor. Porém, podemos rapidamente observar e constatar que, em geral, hinos têm um conteúdo superior ao que se produz hoje. A razão disso é muito simples, e ela nada tem a ver com a qualidade dos compositores de séculos atrás. Infelizmente, hoje se produz muita heresia em forma de cântico. Isso quer dizer que não havia heresias ao longo da história? Sempre houve! Aliás, muitas heresias atuais nada mais são que velhos desvios requentados. A razão de quase não encontrarmos hinos fracos em teologia é que, ao longo do tempo, eles foram esquecidos pela Igreja. Não tenho dúvidas de que alguém no interior da Inglaterra ou Alemanha, por exemplo, compôs algum equivalente ao nosso “dá vontade de pular” ou “minha vitória vai ter sabor de mel”. A questão é que, com o tempo, somente as músicas de conteúdo forte permaneceram. Os hinos que conhecemos hoje sobreviveram ao teste do tempo e, consequentemente, ficamos com o melhor do que foi produzido ao longo dos anos. Da mesma maneira, há algumas canções compostas recentemente que devem ser utilizadas por um bom tempo, pois merecem ser cantadas por seu conteúdo de qualidade!

Os hinos ampliam a nossa noção do Corpo de Cristo

Primeiro, o canto congregacional, o ato de reunir-se como Igreja, de unir a nossa voz a um coral de outras vozes serve para ilustrar que não estamos sós perante Deus. A dinâmica de levantar a minha voz em louvor junto aos meus irmãos é algo que me mostra que não estou só, que faço parte de um corpo, que pertenço a Cristo e a toda uma comunidade de fé. Mas ao cantarmos hinos compostos antes do nosso tempo, creio que honramos àqueles que nos antecederam. Da mesma forma que hoje fazemos proveito de textos escritos por Agostinho, Calvino e tantos outros que viveram antes de nós, fazemos bem em buscar nas fontes antigas hinos que falam de outras gerações. Ao pensar no coral celestial que louva incessantemente a Deus na sala do trono, fico me imaginando um dia cantando e louvando junto com minha esposa, meu irmão, meus pais, meu avós, os avós dos meus pais, C.S. Lewis, Martinho Lutero, o Apóstolo Paulo… e por aí vai! Estaremos todos juntos! Mais de dois mil anos de Igreja, o Corpo de Cristo ao longo da história, reunido e louvando numa só voz! Cantar os hinos escritos pelos nossos antepassados é como uma pequena amostra da união e extensão do Corpo.

Os hinos são testemunhos daqueles que vieram antes de nós

Você conhece a história de Horatio Spafford? Já ouviu falar de John Newton?

Spafford, um advogado americano, perdeu suas três filhas num naufrágio. Ao passar pelo local onde elas teriam naufragado, eles compôs o hino “Se paz a mais doce eu puder desfrutar, se dor a mais forte sofrer; ó, seja o que for, tu mês fazes saber que feliz com Jesus sempre sou!”

Newton, por sua vez, era um ateu e libertino que trabalhava no mercado de escravos. Durante uma travessia, seu navio começou a afundar e ele orou a Deus dizendo que, se Ele o salvasse, abandonaria seu negócio. Ele veio até a lutar pela causa abolicionista. Mas naquele barco, após sobreviver, ele compôs as seguintes linhas: “Preciosa graça de Jesus que um dia me salvou. perdido andei sem ver a luz, mas Cristo me encontrou!”

Esses são apenas dois hinos que testemunham da obra de Deus na vida de homens alcançados e transformados pelo Espírito Santo. Esses hinos contam uma história. Assim como a famosa “Galeria da fé” de Hebreus, quero unir a minha voz junto aos meus irmãos e testemunhar dessa graça tão maravilhosa que me alcançou e me transforma a cada dia. Que tesouro riquíssimo temos nas mãos quando reunimos os testemunhos cantados ao longo da história!

Os hinos fazem parte da identidade da Igreja

Anos atrás, um grupo de jovens veio conduzir o louvor na minha igreja e esqueceram das transparências, as letras que iam cantar (não sou tão velho assim, mas na minha época de adolescente e jovem, projetor era coisa de igreja sofisticada e com recursos). Eles me perguntaram se eu teria as letras que queriam e fiz uma piada: “A letra mais recente que temos é a de A ti, ó, Deus fiel e bom Senhor… .” Eles não riram e fizeram cara de que não faziam a mínima ideia do que eu estava falando. Cantarolei algumas linhas e… nada. Fiquei chocado de saber que um hino que cantei a vida toda, que meu pai cantou a vida toda, era desconhecido para eles.

Imagine um torcedor de um time que não sabe dizer a escalação da equipe, nem quais foram os principais jogadores que marcaram a história do clube e sequer os maiores títulos conquistados! Pior, imagina se ele nem sabe cantar o hino do clube! Ou, por exemplo, que dizer de um brasileiro que não sabe cantar o hino nacional? Ele precisa conhecer um pouco da sua história, daquilo que o identifica como brasileiro!

Por mais que a Igreja não tenha um único hino como um hino nacional oficial (embora muitos reformados mais entusiasmados gostariam que fosse “Castelo forte”), as músicas compostas ao longo dos séculos servem para contar justamente esta história! A própria composição de Martinho Lutero remete à Reforma Protestante, o contexto no qual foi escrita. Ou também o caso dos escravos negros nos Estados Unidos que cantavam seus spirituals, canções que remetiam à esperança de um lar onde não haveria mais sofrimento. Assim como esses, os hinos da Igreja contam da nossa história, história esta que está sendo escrita desde Adão!

E as nossas composições atuais? Bem, as que valem a pena ser cantadas são a nossa contribuição a este rico legado musical que temos. Tenho para mim que um cristão que não conhece a música, os hinos, as orações do seu povo precisam urgentemente conhecê-los a fim de fortalecer a sua fé e edificar a sua alma junto a um povo que já existe há mais de dois mil anos.

Você não os ouve nas rádios

Não é porque uma música toca na rádio que ela seja ruim (nem boa). Mas eu gosto de uma música que seja diferente do que costumo ouvir. A música do louvor não deveria ser abordada como qualquer outra, como uma música que toca enquanto dirigimos simplesmente para de pano de fundo. Creio que os hinos são únicos e por conta da sua estrutura e musicalidade diferente, são uma maneira pedagógica de nos habituar a encarar o canto congregacional como um tipo diferente de música. Há todo um andamento, uma métrica e harmonia que contribuem grandemente para o louvor congregacional e a postura que devemos assumir ao louvarmos a Deus. Não que devamos ignorar e jogar fora qualquer coisa que se assemelhe ao que é contemporâneo e secular. Só não creio que devamos cantar apenas isso. Um louvor formado por canções de diferentes épocas e com estilos variados nos oferece a oportunidade de expressar diversas facetas e dinâmicas de adoração, desde um hino com um andamento de marcha que nos convoca para louvar até uma balada cuja letra mais triste fala de quebrantamento e contrição, por exemplo.

Eu amo os velhos hinos! Em várias ocasiões já fui renovado por meio deles. Fico sinceramente incomodado quando vejo tantos que os descartam como apenas “aquela música que minha vó botava pra tocar na cozinha”. Essas canções compostas ao longo da história são preciosidades que temos o privilégio de cantar ainda hoje! Espero que tenha conseguido passar para você, caro leitor, um pouco do significado que este legado musical tem para mim, e que creio que pode lhe fazer muito bem também.

Andrew McAlister / Filipe Castelo Branco
Cante as Escrituras

Deus se arrepende como os homens?

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Nas versões clássicas da Bíblia lemos: “Então, arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração” (Gênesis 6:6). Em outra parte, Deus diz: “Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (I Samuel 15:11). Se Deus é perfeito, como poderia se arrepender?

Primeiro, a Bíblia ensina de modo inequívoco que Deus é perfeitamente bom e, portanto, incapaz de fazer o mal (Salmo 5:4-5; Tiago 1:13; III João 11). Assim, o arrependimento de Deus não deve ser entendido como se fosse vinculado à culpa moral. Na verdade, a perfeição moral do Criador coloca-o à parte de sua criação manchada pelo pecado (Levítico 11:44-45; 19:2; 20:7; I Pedro 1:15-16).

Além disso, embora Deus não mude o significado da palavra, “arrepender-se” mudou ao longo do tempo. Desta forma, muitas traduções modernas substituem a palavra “arrepender-se” por “ficar triste”. De fato, como um pai humano fica triste com a rebeldia de seus filhos, nosso Pai celestial se entristece com a rebeldia da parte de sua criação.

Finalmente, o arrependimento de Deus deve ser entendido como um antropomorfismo, que expressa a medida completa da tristeza de Deus pelo horror do pecado, em vez de uma mudança de coração ou de mente. Em relação à infidelidade de Saul, Deus disse: “Arrependo-me de haver posto a Saul como rei” (1 Samuel 15:11). Porém, no mesmo contexto está escrito que “aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende;porquanto não é um homem, para que se arrependa” (v. 29). Fora de uma interpretação antropo­mórfica, tais passagens seriam autocontestadoras.

“E também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem, para que se arrependa” (I Samuel 15:29).

Deus Conhece o Futuro?

Um grupo significativo no Cristianismo — os teístas abertos — dizem atualmente que Deus não tem um perfeito conhecimento do futuro. Como respondermos a essa crise dentro do Cristianismo?

Primeiro, a Bíblia demonstra, do início ao fim, a onisciência de Deus. Nas palavras de Isaías, Deus conhece “o fim desde o princípio” (Is 46:10). Assim, o conhecimento de Deus é completo, incluindo as coisas futuras (cf. Jó 37:16; SI 139:1-6; 147:5; Hb 4:12,13).

Além disso, se o conhecimento de Deus acerca do futuro for falível, as profecias bíblicas que dependem de ação humana podem ser consideradas erradas. Até o discurso de Jesus no monte das Oliveiras poderia ter falhado, enfraquecendo a declaração de sua divindade. O próprio Deus poderia ter fracassado no teste bíblico para profeta (Dt 18.22). Na verdade, se o conhecimento de Deus sobre o futuro fosse incompleto, seríamos tolos de acreditar nEle para responder às nossas orações, negando a “confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos” (I João 5:14,15).

Por fim, embora os teístas abertos sugiram que Deus não pode saber o futuro por completo porque muda seus planos de acordo com o que as pessoas fazem, na realidade não é Deus que muda, mas sim as pessoas em seu relacionamento com Deus. Para fazer uma analogia, se você caminha em um vento contrário, luta contra o vento; se fizer um retorno na estrada, o vento ficará em suas costas. Não foi o vento que mudou, mas sim você em relação ao vento. Desta forma, a promessa de Deus quanto à destruição de Nínive não foi abortada porque Ele desconhecia o futuro, mas porque os ninivitas, que caminhavam em oposição a Deus, se desviaram de seus maus caminhos. De fato, todas as promessas de Deus para abençoar ou para julgar devem ser entendidas à luz da condição de que Deus retém as bênçãos por causa da desobe­diência e detém o julgamento por causa do arrependimento (Ez 18; Jr 18.7-10).

Isaías 46:9,10: "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim das coisas desde o principio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade."

Artigo Compilado
Ministério Apologético CACP