Quem foi Lúcifer?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015






Inicio esse estudo sobre quem foi Lúcifer informando que uso como base alguns livros apócrifos, que foram citados na Bíblia e pelos Pais da Igreja. Se o caro leitor não gostar dos apócrifos, ou achar que são frutos da obra do Maligno, como afirmam alguns líderes que desconhecem esses livros, sugiro que nem continue a leitura. Acrescento que, como já falei em outros estudos, os livros apócrifos não servem como regra de fé e doutrina, mas dão boas bases históricas e culturais. Algumas vezes esses livros preenchem lacunas sobre eventos em que a Bíblia não relata, então usei esses textos para colaborar com o estudo e nunca, jamais, para discordar dos livros bíblicos. 

Quem foi?

Satanail (erroneamente chamado de Lúcifer) foi um anjo querubim, responsável pela guarda celestial, que se rebelou contra Deus e quis ser maior do que Ele: "Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo." Isaías 14:12-15 

"E um dos anjos, tendo saído de sua hierarquia e se desviado para uma hierarquia abaixo da sua, concebeu um pensamento impossível: colocar o seu trono acima das nuvens que se encontram sobre a terra, para que seu poder se igualasse ao meu. Precipitei-o do alto com seus anjos, e ele pôs-se a voar por cima do abismo, continuamente." II Enoch 29:3,4. 

O nome "Lúcifer": 

Esse é um termo comum em latim que significa portador de luz, estrela da manhã, estrela da alva...  Aparece algumas vezes na Bíblia, e em algumas é atribuído até a Jesus, como em Apocalipse 22:16. A atribuição desse termo a Satanás é um erro na tradução da Vulgata, que traduz a palavra hebraica heylel "o iluminado" como lucifer. A Septuaginta traduz como heōsphoros (o que traz o anoitecer). De qualquer forma, lucifer é um título, um adjetivo, e não um nome próprio. Pode-se dizer que Satanail era um lúcifer antes da queda, assim como Jesus ainda é um lúcifer. 

Então, qual o nome do Inimigo? 

Satanail (mensageiro de Deus segundo o Evangelho de Bartolomeu) e Satanás (o acusador): 
"O demônio é o gênio do mal das regiões inferiores, como um fugitivo, ele criou Sotona a partir dos céus, por ser seu nome Satanail, por isso ele se tornou diferente dos anjos, mas a sua natureza não modificou a sua inteligência quanto ao entendimento do certo e do errado." II Enoch 31:4. 

"Bartolomeu, pois, se foi e pisou-lhe a cerviz, que trazia oculta até as orelhas, dizendo-lhe: — Dizei-me quem és tu e qual é teu nome... Respondeu Belial: — A princípio me chamava Satanail, que quer dizer mensageiro de Deus, mas, desde que não reconheci a imagem de Deus, meu nome foi mudado para Satanás, que quer dizer anjo guardião do tártaro." Evangelho de Bartolomeu.

"E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu." Lucas 10:18.

"Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos."  Apocalipse 20:2.

Alguns nomes atribuídos a Satanás na Bíblia:

a) Satanás = Acusador, Adversário - Zc 3:1; I Pd 5:8; Ap 12:10
b) Lúcifer = portador da luz - Is 14:12
c) Dragão - Ap 12:7
d) Diabo = difamador, caluniador - I Pd 5:8
e) Homicida e Mentiroso - Jo 8:4
f) Sedutor - Ap 20:10
g) Príncipe do Mundo - Jo 12:31
h) Príncipe da Potestade do ar - Ef 2:2
i) Destruidor - Ap 9:11
j)Tentador - Mt 4:3
l) Maligno - Mt 13:38
m) Deus deste século - II Co 4:4

20 Eventos acerca dele:

1. Criado em toda a formosura: "Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura." Ezequiel 28:12

2. Entoava louvores ao Senhor no Céu, assim como os demais anjos. Ele não era ministro de louvor como afirmam alguns: "Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados." Ezequiel 28:13.

3. Era um Querubim: "Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas." Ezequiel 28:14.

4. Pecou contra Deus: "E um dos anjos, tendo saído de sua hierarquia e se desviado para uma hierarquia abaixo da sua, concebeu um pensamento impossível: colocar o seu trono acima das nuvens que se encontram sobre a terra, para que seu poder se igualasse ao meu." II Enoch 29:3. "Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti." Ezequiel 28:17.

5. Foi expulso do Céu: "Precipitei-o do alto com seus anjos, e ele pôs-se a voar por cima do abismo, continuamente". II Enoch 29:4. "Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no inferno, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo" II Pedro 2:4.

6. Enganou Adão e Eva: "E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida." Gênesis 3:13,14.

7. Tentou a Jó: "E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde?" Jó 1:8,9.

8. Contendeu com o arcanjo Miguel: "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda." Judas 1:9

9: Se levantou contra Israel: "Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel." I Cronicas 21:1

10. Se opôs ao Sumo Sacerdote Josué: "E ele mostrou-me o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do SENHOR, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor. Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreenda, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do fogo?" Zacarias 3:1,2.

11. Lutou novamente com Miguel: "Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras.Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia." Daniel 10:12,13

12. Tentou a Jesus: "Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo."  Mateus 4:1.

13: Foi amarrado e preso após a morte de Cristo: "E eis que o Senhor Jesus Cristo entrou rodeado de uma claridade sublime, manso, grande e humilde, levando em suas mãos uma corrente; com ela amarrou o pescoço de Satanás e depois de novamente unir suas mãos às costas, arremessou-o ao Tártaro e pôs seu santo pé em sua garganta, dizendo: Fizeste muitas coisas más no decorrer dos séculos; não deste nenhum descanso; hoje entrego-te ao fogo eterno. E chamando novamente o Inferno, disse-lhe com autoridade: Toma este amaldiçoado e perverso Satanás e mantém-no sob tua custódia até o dia que eu determinar. O Inferno aceitou-o e ambos precipitaram-se no profundo do abismo." Evangelho de Nicodemus (Descida de Cristo ao Inferno).

14. Mesmo preso ainda influencia e se opõe a Obra de Deus e aos cristãos: "Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho." I Tessalonicenses 2:18.

15: Dará poder ao Anticristo: "Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado; E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira..." II Tessalonicenses 2:7-9.

16. Será solto e tentará impedir o arrebatamento e fará guerra contra Miguel: "E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele." Apocalipse 12:7-9

17: Perseguirá os remanescentes na Grande Tribulação: "E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem... E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo." Apocalipse 12:13 e 17.

18. Blasfemará contra Deus e vencerá os santos remanescentes: "E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu.E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação." Apocalipse 13:6,7.

19. Será preso durante o Milênio: "E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão.Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo." Apocalipse 20:1-3.

20. Será solto após o Milênio e derrotado para todo o sempre: "E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou. E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre." Apocalipse 20: 7-10.

"A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém". Apocalipse 22:21.

Diego Rodrigo Souza
Creio No Amanhã

Trindade: Analisando algumas objeções

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Definição da doutrina:

Antes de tudo é preciso definir o que é a doutrina da Trindade, pois até mesmo muitos cristãos se perdem nesse quesito. Por “Trindade” não queremos dizer que acreditamos em três deuses, pois para nós há somente um Deus (Isaías 43:10). Ao invés disso, queremos dizer que na Divindade há três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Pode parecer um paradoxo, mas Deus é três e um simultaneamente. Precisamos fazer distinção entre o termo “pessoa” e “natureza”. As pessoas em Deus são três, mas uma só é a natureza, que consiste na onipotência, onisciência, onipresença etc. Vários exemplos foram apresentados para exemplificar esse caso; porém, o triângulo eqüilátero é o que mais se aproxima desse conceito. Acompanhe:O triângulo é indivisível, assim como Deus (simbolizado por toda a figura). Todavia, cada lado é distinto do outro e, contudo, formam a mesma figura, que só existe com os três lados iguais; assim, tomando a analogia, o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e vice e versa; porém, eles constituem o mesmo Deus. A individualidade pessoal é mantida, bem como a unidade. Assim, Deus não é somente o Pai, nem somente o Filho, e nem tampouco somente o Espírito Santo. Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Analisando algumas objeções

Negam a doutrina da Trindade, alegando que é de origem pagã e que tal palavra não aparece na Bíblia. Somente Jeová é o Deus verdadeiro. Ele não é onipresente, ou seja, não pode estar em vários lugares ao mesmo tempo, pois sendo uma pessoa, possui um corpo de forma específica, que precisa de um lugar para morar. Assim, ele está confinado no céu. Para exercer seu comando sobre o universo, ele usa seu poder, seu Espírito Santo”, que é sua “força ativa”. Sua onisciência é seletiva, ou seja, Jeová não sabe o futuro de todas as coisas, a menos que ele queira. Explicam isso da seguinte forma: Um rádio pode captar qualquer onda, porém, é preciso sintonizá-lo na estação certa. Assim, se Jeová quiser saber se alguém será fiel a ele ou não, deverá “sintonizar” na “estação” dessa pessoa.

a) A palavra “Trindade” não aparece na Bíblia — A doutrina da Trindade está fortemente enraizada nas Escrituras. A palavra “trindade” é um termo extrabíblico utilizado para designar aquilo que é revelado nas Escrituras; embora a palavra não apareça, a idéia está explícita na Bíblia. Outro fator que torna sem fundamento a objeção das TJ é o fato de que utilizam termos como “corpo governante” e “teocracia”, embora tais palavras também não apareçam na Bíblia. Das duas, uma: ou aceitam o uso do termo “trindade” ou deixam de usar as terminologias “corpo governante” e “teocracia”.

b) A Trindade e o paganismo — A objeção de que a doutrina da Trindade é de origem pagã, uma vez que os pagãos cultuavam suas tríades de deuses, também não faz sentido, pois a concepção dos pagãos em nada se assemelha à doutrina trinitariana. Enquanto os pagãos são politeístas, ou seja, crêem na existência de vários deuses, sendo sua trindade mais um conjunto de deuses em seu panteão, nós, cristãos, somos essencialmente monoteístas, pois cremos que há um só Deus (Isaías 43:10), que subsiste em três “pessoas”: Pai, Filho e Espírito Santo. Não são três deuses, posto que só há um Deus. Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são ao mesmo tempo três pessoas distintas e um só Deus. O termo “triunidade” resume melhor essa concepção bíblica de Deus. É bom também lembrar que a Bíblia não é o único livro que fala de um dilúvio universal. A literatura pagã também contém relatos sobre um dilúvio. Isso, evidentemente, não faz do dilúvio uma concepção pagã; tampouco a doutrina da Trindade deveria ser vista da mesma forma.

c) A Trindade e a razão humana — A acusação de que a doutrina da Trindade não se conforma com a lógica ou a razão também é descabida, pois a mente humana não pode apreender tudo sobre Deus. É impossível que o relativo entenda com precisão o Ser Absoluto, que o finito atinja o Infinito, que a criatura desvende todos os mistérios e segredos do Criador. Isso é pedir demais. (Leia Romanos 11:33; 1ª Coríntios 2:11; Jó 11:7; Isaías 40:28). No livro Raciocínios à base das Escrituras (publicado pelas TJ), página 123, há a seguinte pergunta: “Será que Deus teve começo?” Daí, citam o Salmo 90:2, que diz que Deus é Deus de “eternidade a eternidade”, ou seja, ele é incriado, sempre foi, é e será eternamente. Diante desse mistério, o livro lança o desafio: “Há lógica nisso? Nossa mente não pode compreender isso plenamente. Mas não é uma razão sólida para o rejeitar”. Aplicando o mesmo princípio à doutrina da Trindade, podemos perguntar: “Será que Deus é uma Trindade? Há lógica nisso? Nossa mente não pode compreender isso plenamente. Mas não é razão sólida para o rejeitar”.

d) A Trindade e a Matemática — Outra objeção argumenta que a Trindade contraria a Matemática, pois se 1 + 1 + 1 = 3; então, Deus Pai + Deus Filho + Deus Espírito Santo não podem ser um, mas três deuses. Ora, outro argumento desprovido de bom senso, pois Deus não pode ser medido pelas Ciências Exatas. No campo da Matemática, ele não pode ser somado, diminuído, dividido ou multiplicado. Mas, se é matemática o que querem, a pergunta é oportuna: Na Matemática, três podem ser um? Dependendo da operação que se escolher, sim. 1 X 1 X 1 = 1.

A Trindade no Antigo Testamento

a) Gênesis 1:26, 27 — Chegando o momento de criar o homem, Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança”. O verbo “fazer”, nesse caso, aponta para um ato criativo, e somente Deus pode criar. Assim, ao ser criado, o homem não poderia ter a imagem de um anjo ou de qualquer outra criatura, mas a imagem de Deus, a imagem de seu Criador. No versículo 27, lemos: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. O interessante, porém, é que a Bíblia diz que Jesus Cristo também criou todas as coisas, as visíveis e invisíveis (João 1:1, 3; Colossenses 1:16, 17; Hebreus 1:10), o que inclui necessariamente o homem. Desse modo, concluímos, à luz da Bíblia, que o homem tem a Jesus como seu Criador, logo, o homem carrega Sua imagem, pois Jesus é Deus, uma vez que “à imagem de Deus” o homem foi criado. Já em Jó 33:4, Eliú declara: “O Espírito de Deus me fez”. Afinal de contas, quem fez o homem? A Bíblia diz: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou”. E quem é esse Deus? Resposta: Pai, Filho e Espírito Santo. É digno de nota que há outros textos em que Deus fala no plural: Gênesis 3:22; 11:7-9; Isaías 6:8. Alguns dizem tratar-se de plural de majestade, ou seja, é uma forma de expressão onde o indivíduo fala do plural que não revela necessariamente uma pluralidade participativa. Todavia, isso não funciona em Gênesis 1:26, 27, pois outros textos bíblicos deixam claro que o Pai, o Filho e o Espírito Santo criaram o homem; logo, não está em jogo nenhum plural de majestade, mas um ato criativo de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Os demais textos, portanto, devem ser interpretados seguindo-se essa mesma linha de raciocínio.

b) Deuteronômio 6:4 — “Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová” (TNM). Esse texto é usado para desacreditar a doutrina da Trindade, mas, ao contrário disso, é o texto que prova que na unidade de Deus existe uma pluralidade, dando abertura para a concepção trinitariana. Como assim? Na língua hebraica, existem duas palavras para expressar unidade, a saber, ’ehadh e yehidh. A primeira designa uma unidade composta ou plural. Exemplo: Gênesis 2:24 diz que o homem e a mulher seriam uma (’ehadh) só carne, ou seja, dois em um. A segunda palavra é usada para expressar unidade absoluta, ou seja, aquela que não permite pluralidade. Exemplo: Juízes 11:34 diz que Jefté tinha uma única (yehidh) filha. Qual dessas palavras é empregada em Deuteronômio 6:4? A palavra ’ehadh, o que indica que na unidade da Divindade há uma pluralidade.

A Trindade no Novo Testamento

A revelação da Triunidade de Deus no Antigo Testamento não é tão clara quanto no Novo. Os textos bíblicos abaixo alistados (respeitando-se os devidos contextos) mostram sempre juntos o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Levando-se em conta que Deus é único (Isaías 43:10) e que ele não partilha sua glória com ninguém (Isaías 42:8; 48:11), é interessante notar como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são postos em pé de igualdade, coisa que nenhuma criatura, por melhor que fosse, poderia atingir, nem muito menos uma “força ativa” (agente passivo).

a) Mateus 28:19 — A ordem de Jesus é para batizar em “nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Ora, se Jesus fosse uma criatura e o Espírito Santo uma “força ativa”, seria estranho que as pessoas fossem batizadas em nome do Criador (que não divide sua glória com ninguém), em nome de um anjo, e de uma “força ativa”; aliás, que necessidade há em batizar alguém em nome de uma “força”? Tudo isso só faz sentido se Jesus e o Espírito Santo forem Deus, assim como o Pai.

b) Lucas 3:22 — No batismo do Filho, lá estão o Espírito Santo e o Pai; como sempre, inseparáveis. Essa é uma das razões pelas quais o batismo cristão deve ser ministrado em nome das três pessoas.

c) João 14:26 — Jesus fala do Espírito Santo, que será enviado pelo Pai, em seu próprio nome, isto é, de Cristo.

d) 2ª Coríntios 13:13 — Outra fórmula trinitária, onde aparece o Filho, em primeiro lugar, com sua graça ou benignidade imerecida; depois, o Pai, com seu amor; e finalmente, o Espírito Santo, com a comunhão ou participação que dele procede.

e) 1ª Pedro 1:1, 2 — Pedro fala aos escolhidos, que foram eleitos segundo a presciência do Pai, santificados pelo Espírito e aspergidos com o sangue de Jesus Cristo.

f) Outros versículos — Romanos 8:14-17; 15:16, 30; 1ª Coríntios 2:10-16; 6:1-20; 12:4-6; 2ª Coríntios 1:21, 22; Efésios 1:3-14; 4:4-6; 2ª Tessalonicenses 2:13, 14; Tito 3:4-6; Judas 20, 21; Apocalipse 1:4, 5 (compare com 4:5) etc. É digno de nota que se o Filho fosse uma criatura e o Espírito Santo uma “força ativa”, os dois não poderiam assumir o primeiro lugar em algumas das passagens bíblicas acima citadas. Aliás, o que uma “força ativa” estaria fazendo no meio de duas pessoas? As TJ objetam dizendo que mencionar as três Pessoas juntas, não indica que sejam a mesma coisa, pois Abraão, Isaque e Jacó (Mateus 22:32), bem como Pedro, Tiago e João (Mateus 17:1) sempre são citados juntos; contudo, isso não os torna um. O que as TJ não perceberam foi o seguinte: Abraão, Isaque e Jacó tinham algo em comum: o patriarcado. Já Pedro, Tiago e João tinham em comum o apostolado. E o que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm em comum? Resposta: a natureza divina, ou simplesmente, a divindade.

Jesus Cristo

É o Primogênito de Jeová (sua primeira criação). É seu Unigênito (o único criado diretamente por ele). Sendo “Filho de Deus” é submisso e inferior ao Pai. Recebeu o nome de Miguel e o título de Arcanjo (= anjo principal). É “um deus”, assim como Satanás, no sentido de ser poderoso. É “Deus Poderoso”, mas nunca “Deus Todo-Poderoso”, como Jeová. Morreu numa “estaca” (não numa cruz). Ressuscitou em espírito (não fisicamente). “Voltou” invisivelmente em 1914. Somente as TJ o viram com os “olhos do entendimento”. Através do Corpo Governante, ele exerce sua chefia sobre a organização.

Avaliação bíblica

A cristologia das TJ é uma ressurreição do arianismo, que surgiu com Ário (256-336), um sacerdote do século IV, da cidade de Alexandria, no Egito. Ário afirmou que Jesus Cristo era uma criatura, baseando principalmente em Provérbios 8:22 e 1ª Coríntios 1:24. O primeiro é uma poesia, onde a sabedoria diz ter sido “criada” por Deus. O segundo diz que Jesus Cristo é a sabedoria de Deus. Assim, concluiu Ário, se Jesus é a sabedoria de Deus, então ele foi criado. O problema de Ário foi o seguinte: ele utilizava uma tradução do que hoje conhecemos como Antigo Testamento, escrito originalmente em hebraico, para o idioma grego. O texto hebraico traz em Provérbios 8:22 o verbo qanáni (possuir); contudo, o texto grego adotado por Ário verteu qanáni por bará, que significa “criar”. Quando S. Jerônimo fez a Vulgata, tradução do hebraico para o latim, traduziu corretamente qanáni por possédit me (possuiu-me). A pergunta que se levanta é: qual é o termo correto – criar ou possuir? A resposta é óbvia: possuir. Basta um pouco de raciocínio para perceber isso. Veja: Deus é eterno, de eternidade a eternidade. Como ele é imutável, o que ele é hoje, sempre foi e sempre será. Assim, não há variação em Deus. Então, se Deus é poderoso, ele é poderoso de eternidade a eternidade. Nunca houve um momento em ele não tenha possuído poder. Ele não poderia ter criado seu poder, pois isso significaria que um dia ele não o teve. Ora, o mesmo se dá com a sabedoria de Deus. Se dissermos que Deus criou sua sabedoria, chegaremos à conclusão que um dia Deus não teve sabedoria. Daí, vem a pergunta: com que grau de inteligência Deus percebeu que não tinha sabedoria e que precisaria criá-la? Assim, diante dessa conclusão ilógica, afirmamos à luz da Bíblia: Deus é sábio de eternidade a eternidade. Seus atributos são tão eternos quanto ele, pois Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Diante disso, a leitura correta do Provérbios 8:22 deve ser: “O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas”. Para concluir, é preciso dizer que não se pode afirmar categoricamente que o texto de Provérbio 8:22 faça referência a Jesus Cristo. O texto simplesmente apresenta a sabedoria de Deus num estilo poético e, em poesia, tudo pode acontecer: a sabedoria grita, ama, trabalha etc. Seja como for, Provérbios 8:22 não pode ser usado para afirmar que Jesus é uma criatura. Ao contrário, a Bíblia o apresenta como Criador de todas as coisas (João 1:3; Colossenses 1:16,17; Hebreus 1:10 com 3:4).

Jesus não é o Arcanjo Miguel

Jesus e Miguel não são a mesma pessoa por duas razões:
Enquanto que em Daniel 10:13 Miguel é chamado de “um dos mais destacados príncipes” (TNM), o que nos leva a concluir que ele não é o principal, o primaz, em Colossenses 1:18 se diz que Jesus tem a primazia.
 
Mateus 4:10, 11 e Marcos 1:25-27 apresentam Jesus Cristo repreendendo Satanás; mas em Judas 9 está escrito que Miguel não se atreveu a censurá-lo, ao invés, entregou para Deus tal responsabilidade. Jesus tem, portanto, diferente de Miguel, a autoridade absoluta sobre Satã.

Jesus não é “um deus”

Já que Deus disse em Isaías 43:10 que antes dele Deus nenhum se formou e que depois dele, Deus nenhum haverá, fica evidente que existe somente um Deus. Tudo o que for além disso é uma falsa deidade. Assim, Jesus não poderia ser um deus à parte. Além do mais, se Jeová fosse o Deus e Jesus “um deus” (como verte a TNM o texto de João 1:1), então teríamos dois deuses: um maior (Jeová) e o outro menor (Jesus). Ora, a crença em mais de um deus constitui-se em politeísmo, o que é um grave pecado contra Deus.

Esclarecendo termos mal interpretados

Alguns grupos, como as TJ, se perdem na terminologia das Escrituras, dando significados errôneos a certos termos aplicados a Jesus Cristo, como por exemplo: primogênito, unigênito, princípio da criação e Filho de Deus. Tal equívoco se dá devido ao fato de desconhecerem regras de uma boa hermenêutica (interpretação) bíblica, e assim, separam esses termos de seu contexto imediato ou local e o geral, bem como histórico e gramatical, e querem que afirmem aquilo que originalmente não significavam no texto bíblico. Eis alguns exemplos:

Primogênito (Colossenses 1:15) — Longe de significar nesse texto “primeiro criado” ou “o primeiro de uma série”, o termo “primogênito” é um título que indica preeminência ou primazia, apontando assim para a soberania de Cristo sobre a criação, pois segundo os versículos seguintes, ele criou todas as coisas; não podendo ser, portanto, uma criatura (veja 2.1.3. – letra c). Outro ponto importante é que esse texto de Colossenses é uma aplicação do Salmo 89:27, que é messiânico. Originalmente foi aplicado ao rei Davi, que era o caçula de sua família (Salmo 89:20); no entanto, segundo esse salmo, Deus o colocaria como “primogênito”, e explica o porquê: “O mais excelso dos reis da terra”, que eqüivale ao título “rei dos reis” (Apocalipse 17:14). Que a idéia de soberania está implícita, basta conferir 1º Samuel 10:1, onde Samuel diz a Davi que Deus o ungiu para ser o líder ou chefe de Israel. Assim, o termo primogênito fala da posição soberana de Cristo sobre tudo e todos, e não que ele seja o primeiro de um série.

Unigênito (João 3:16) — Este título fala da singularidade de Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus. Ele é único, não há ninguém semelhante a ele (Judas 4). Essa palavra é composta por mono (único) + genus (tipo, espécie). A ênfase, portanto, está na primeira parte: único , o que implica na idéia de singularidade, tal como acontece com Hebreus 11:17. Neste texto, Isaque é chamado de unigênito de Abraão. Ora, sabemos que Abraão não tinha apenas a Isaque como filho, não podendo ser ele, a rigor, o único filho. Aliás, Ismael era o primogênito. Isso mostra, portanto, que o termo “unigênito” abarca outros significados. Em que sentido, então, Isaque era o unigênito? Porque ele era o único e singular filho de Abraão. A idéia de um relacionamento íntimo e diferencial entre pai e filho está implícita na passagem; logo, não está em questão a ordem de nascimento de Isaque, mas sua posição diante do pai, sua singularidade. O mesmo se dá com Cristo em relação ao Pai. Sendo, então, “primogênito” e “unigênito”, torna-se o “herdeiro de todas as coisas”, sustentando, ele mesmo, “todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hebreus 1:2, 3).

Princípio da criação (Apocalipse 3:14) — A palavra grega arché, traduzida por princípio em muitas traduções da Bíblia, também significa “governador”, “soberano”, “origem”. Assim, já que diversas passagens bíblicas atestam a eternidade de Cristo, posto ser ele o criador e sustentador de todas as coisas (Colossenses 1:16, 17; Hebreus 1:3), fica evidente que entender arché como o “primeiro de uma série”, nesse caso em particular, seria pedir demais. Se ele criou todas as coisas e as sustenta, o termo “origem” cai como uma luva no contexto imediato e mais amplo. É assim que o termo princípio deve ser entendido em Apocalipse 3:14. Essa é, aliás, a forma traduzida pela versão espanhola La Bíblia de Estudio “Dios Habla Hoy”. É bom também lembrar que na Tradução do Novo Mundo a expressão arché é usada em relação a Jeová (Apocalipse 22:12), sendo entendida como fonte, origem, começo; embora seja evidente, pelo contexto, que arché aplica-se ao Senhor Jesus Cristo, pois ele também é descrito assim em Colossenses 1:18. De qualquer forma, nenhum dos termos supracitados podem ser usados para defender a idéia de que Jesus seja um ser criado.

Filho de Deus (Marcos 1:1) — Esse termo geralmente é usando para indicar a inferioridade do Filho em relação ao Pai, pois um filho não pode ser igual ou maior que seu pai. Ora, isso não faz o menor sentido, pois Jesus é chamado de “filho de Maria” (Marcos 6:3); “Filho de Davi” (Marcos 10:48); e “Filho do Homem” (Mateus 25:31), e nem por isso, ele poderia ser considerado inferior a Maria, Davi ou ao homem. A primeira expressão “filho de Maria” tem o significado de “filho” no sentido comum da palavra, ou seja, ele era filho de Maria em sentido biológico. Ser chamado de Filho de Davi pode significar não somente que ele é seu descendente, mas também participante da linhagem real de Davi. Já o título “Filho do Homem” aponta para a humanidade assumida por Cristo, ou seja, ele participou de nossa natureza humana, contudo, sem pecado. E, finalmente, Jesus também é chamado de “Filho de Deus”, não porque seja inferior, mas porque é participante da mesma natureza divina da qual o Pai também participa. Aqui cabe bem o velho ditado: “Tal pai, tal filho”.

Esclarecendo textos mal interpretados

Os textos apresentados a seguir são bastante usados pelos antitrinitários para apoiar a idéia de que Jesus não era Deus, pois declarou que o Pai era maior do que ele (João 14:28); que acerca do dia e hora de sua vinda, somente o Pai sabe (Marcos 13:32); além disso, dizem que se ele orava ao Pai (João 17:1), não poderia ser o próprio Pai (esta sentença, aliás, os trinitários jamais afirmaram). Esses equívocos decorrem do fato de desacreditarem de outra grande “riqueza insondável do Cristo” (Efésios 3:8), ou seja, a sua Encarnação: o Verbo, que era Deus, “se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). A doutrina da Encarnação é tão complexa quanto a doutrina da Trindade. Mais uma vez vale ressaltar que por mais que tentemos, o ser finito jamais poderá compreender com perfeição o Ser Infinito, mesmo quando este assume nossa finitude. Ao assumir a natureza humana, tornando-se “Filho do Homem”, Jesus Cristo assumiu a posição de “servo” (Filipenses 2:6 e 7). Tornou-se “menor” que os anjos, sem se tornar inferior a eles (Hebreus 2:9). Assim, sua humanidade, como a nossa, era limitada; mas, por outro lado, ele ainda era 100% Deus, ou seja, ilimitado. E aí está o grande problema: como compreender que numa única pessoa pudesse haver duas naturezas opostas naturalmente entre si? Ao mesmo tempo em que dizia “o Pai é maior do que eu” (João 14:28), também afirmava “Eu o Pai somos um” (João 10:30). Como resolver essa questão? A coisa não é tão fácil assim. Se alguém achar a resposta a essa pergunta, também terá descoberto como Deus veio a existir (aliás, ele nunca veio a existir, pois ele foi, é e sempre será) e explicará satisfatoriamente a Triunidade Divina. O que precisamos é recorrer ao testemunho das Escrituras para ver o que ela tem a nos dizer sobre isso, mesmo que indiretamente. Uma passagem reveladora é a de Mateus 8:23-27. Durante uma tempestade, o texto relata que Jesus dormia, mas, Deus não dorme. Desesperados, os discípulos acordaram-no, clamando por socorro. Nesse momento, Jesus acorda, repreende o vento e o mar, e ambos se aquietam. Ora, o homem não tem esse poder. Segundo os Salmos 65:5-7; 89:9 e 107: 29, somente Deus, como criador, tem poder sobre as forças da natureza, e Jesus revelou tal poder (Hebreus 1:3). Percebe-se, portanto, nessa Escritura, a plena humanidade e divindade de Jesus Cristo. Ele tornou-se humano, sem deixar de ser Deus. Era Deus, assim como o Pai e o Espírito Santo, mas também era verdadeiro homem. Alguns objetam afirmando que Moisés abriu o Mar Vermelho, e nem por isso era Deus (Êxodo 14). O mesmo se deu na travessia do rio Jordão, sob o comando de Josué (Josué 3). Mas, quem foi que disse que Moisés abriu o Mar Vermelho? Segundo o livro de Êxodo, Deus mandou Moisés erguer um bastão e estendê-lo sobre o mar (14:16), e no versículo 21 diz que foi o próprio Deus, por meio dum forte vento, que fez o mar retroceder. O Salmo 114 poeticamente mostra que os acontecimentos ocorridos tanto no Mar Vermelho, quanto no rio Jordão, foram promovidos pelo senhor do vento e do mar: Deus. Assim, precisamos ler os textos abaixo tendo em vista o ensinamento bíblico da dupla natureza de Cristo.

João 14:28 — Quando Jesus disse “o Pai é maior do que eu”, subentende-se a sua posição de servo, de humilhação à qual ele se submeteu voluntariamente, nada tendo haver com sua essência, sua natureza divina (Filipenses 2:6-8; Atos 8:33; 2 Coríntios 8:9). Nessa posição, segundo a Bíblia, Jesus também era menor que os anjos (Hebreus 2:6-9), pois em relação aos humanos, os anjos são “maiores em força e poder” (2ª Pedro 2:11). Sendo menor que os anjos, Jesus podia dizer — sem prejuízo para sua natureza divina — que o Pai era maior do que ele.

Marcos 13:32 — Se em Cristo estão “ocultos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Colossenses 2:3), por que ele afirmou que acerca daquele dia e daquela hora ele não sabia, mas unicamente o Pai? Essa é uma pergunta de difícil resposta; contudo, convém lembrar do seguinte: Jesus disse que os anjos também não sabiam; sendo assim, o que foi feito menor também não saberia (Hebreus 2:9). Como homem Jesus não tinha sabedoria ilimitada. Aprendeu como qualquer um de nós (Lucas 2:52). Não cabe ao homem saber os tempos e as épocas que Deus determinou sob sua jurisdição (Atos 1:7).

João 17:1 — Acompanhado desse texto, normalmente vem a seguinte observação dos antitrinitários: Visto que Jesus orou a Deus, pedindo que fosse feita a vontade de Deus, não a sua (Lucas 22:42), os dois não poderiam ser a mesma pessoa; e se Jesus fosse o Deus Todo-Poderoso, ele não oraria a si mesmo.

Para inicio de conversa, esse argumento revela certa ignorância do que seja a doutrina da Trindade, pois não acreditamos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam a mesma pessoa, mas, sim, o mesmo Deus, ou seja, possuem a mesma natureza. O termo “Deus” pode ser aplicado individualmente a cada uma das Pessoas da Trindade (1ª Coríntios 8:5; 1ª João 5:20; Atos 5:3, 4), como pode ser usado como coletivo para abarcar as Três Pessoas Divinas, como em Gênesis 1:1. Assim, não sendo a mesma “pessoa” fica claro que não há nenhum impedimento para que o Filho dialogasse com o Pai. Na Encarnação Jesus participou das experiências humanas, menos o pecado (2ª Pedro 2:22); Jesus, como todo e qualquer humano, tinha necessidade espirituais. Ele precisa ter contato com o Pai (Mateus 4:4; João 4:34). Portanto, Jesus dialogou com o Pai, sem deixar de participar da mesma natureza divina, pois ele mesmo disse: “Eu o Pai somos um” (João 10:30). A objeção comum à frase “Eu e o Pai somos um” é a de que isso não significa que Jesus tenha a mesma natureza que o Pai, que ambos sejam de fato um, mas que Jesus apenas frisava sua unidade de propósito e pensamento com o Pai. A base bíblica apresentada é a de João 17:11, 21, 22, onde Jesus em oração pede que todos os seus discípulos sejam um, assim como ele e o Pai são um. Argumentam que isso não significa que os discípulos serão a mesma pessoa ou que possuirão a natureza divina. Mais uma fez enfatizamos que a idéia de serem os dois, Pai e Filho, a mesma pessoa, jamais estará em questão. Quanto à idéia de unidade de propósito e pensamento, dizemos que esta está presente em ambas as passagens. Todavia, segundo o contexto de João 10:30, há muito mais incluído do que simplesmente “unidade de propósito e pensamento”. Acompanhe os seguintes raciocínios…

1º — Nesse capítulo, Jesus fala diversas vezes de suas ovelhas. No versículo 28 ele diz que dá a essas ovelhas a “vida eterna” e que elas jamais seriam destruídas (ou pereceriam). Pergunta-se: Poderia uma criatura, por mais importante que fosse , conceder a outras criaturas a vida eterna e a indestrutibilidade? Não é somente Deus, o Eterno, a fonte da vida? (Salmo 36:9; Atos 17:27, 28). Contudo, Jesus disse de si mesmo: “Eu sou a ressurreição e a vida” (João 11:25). Disse mais: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Seria pedantismo demais para um arcanjo, uma criatura, mesmo que fosse “o segundo maior personagem do universo”, afirmar tudo isso; porém, não o seria para aquele que, junto com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina para sempre. Portanto, pelos versículos precedentes a João 10:30, fica claro que, se o Pai e o Filho são fontes da vida, então Jesus foi além da “unidade de propósito e pensamento” ao dizer “Eu e o Pai somos um”. Vale a pena lembrar que, por mais que nos esforcemos, jamais conseguiremos ser a ressurreição, a verdade e a vida. Assim, devemos nos contentar com nossa “unidade de propósito e pensamento” para com Deus. Já Jesus Cristo, além do que temos (e num grau mais elevado e incomparável), também possui “toda a plenitude da Divindade” (Colossenses 2:9).

2º — Diante da frase “Eu e o Pai somos um”, a reação dos judeus foi imediata: acusaram a Jesus de blasfêmia, pois, sendo homem, fazia-se Deus a si mesmo (João 10:33). Eles entenderam exatamente o que Jesus queria dizer com aquele “um”. Não faria sentido acusá-lo de blasfêmia pelo simples fato de expressar com a palavra “um” uma “unidade de propósito e pensamento”. Na Tradução do Novo Mundo, João 10:33 é vertido assim: “Nós te apedrejamos, não por uma obra excelente, mas por blasfêmia, sim, porque tu, embora sejas um homem, te fazes um deus”. A frase mal traduzida “te fazes um deus” tenta suavizar a força das palavras de Jesus, que evidentemente igualou-se ao Pai. Ademais, a acusação de blasfêmia só faria sentido para os judeus se Jesus se fizesse igual a Deus, o Pai, e não a “um deus”, termo mais do que genérico nessa péssima tradução. É importante ressaltar que numa outra ocasião Jesus falou aos judeus dizendo: “Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando” (João 5:17 – TNM). Diante disso, alguns dos judeus queriam matá-lo, e uma das razões apresentadas foi a de que ele chamava Deus de Pai, “fazendo-se igual a Deus” (João 5:18 – TNM). Percebe-se, portanto, que em ambas as passagens (João 10:29-33 e 5:17, 18) as declarações de Jesus sempre são entendidas como afirmações de igualdade com o Pai, ou seja, ele afirma fazer aquilo do qual somente o Ser Supremo é capaz (compare com Marcos 2:5-11). Assim, se Jesus não fosse tudo aquilo que afirmou ser, direta ou indiretamente, não passaria de um impostor, mentiroso e megalomaníaco.

Espírito Santo

Muitos negam a personalidade e divindade do Espírito Santo, como as seitas espíritas e as Testemunhas de Jeová. Para estas o Espírito Santo é uma “força ativa”; para aqueles trata-se de uma “falange de espíritos”. Em ambos os casos, o Espírito Santo é algo, não alguém.

A personalidade e divindade do Espírito Santo

a) É Deus, como o Pai e o Filho (Atos 5:3:4). Compare com Atos 16:31, 34.

b) É um ser pessoal, pois o Espírito Santo…
Guia, fala, declara, ouve (João 16:13).

·Ama (Romanos 15:30).

·Clama (Gálatas 4:6).

·Toma decisões, administra (1ª Coríntios 12:11).

·Sabe e atinge as profundezas de Deus (1ª Coríntios 2:10, 11; compare com Mateus 11:27 e Lucas 10:22).

·Pode ser contristado (Efésios 4:30). Comparar com Isaías 63:10.

·Implora e intercede (Romanos 8:26, 27; comparar com v. 34).

·Ensina (Lucas 12:12; comparar com 21:14, 15; veja João 14:26).

·Fala (Atos 10:19). Ver também 13:2; 10:19, 20; 21:11; Mateus 10:18-20).

·É resistido (Atos 7:51 comparado com Isaías 63:10; Salmo 78:17-19).

·Proíbe, põe obstáculo (Atos 16:6 e 7; comparar com o v. 7 com Romanos 8:9 e Filipenses 1:19).

·Ordena, dirige e dá testemunho (Atos 8:29, 39 e 20:23).

·Designa, comissiona (Atos 20:28). Ver também 1ª Coríntios 12:7-11, comparando com 12:28 e Ef. 4:10, 11.

·É mencionado entre outras pessoas (Atos 15:28).

c) 1ª Coríntios 6:19 – “Ao lado do templo do verdadeiro Deus na antiga Jerusalém, as Escrituras mencionam muitos outros templo — por exemplo: o templo de Dagom (1ª Samuel 5:2), o templo de Júpiter (Atos 14:13), o templo de Diana (Atos 19:35), e assim por diante. Cada um era o templo de alguém, ou do Deus verdadeiro ou de um deus falso. Mas a Bíblia também mostra que o corpo físico de cada cristão individualmente se torna um templo. Templo de quem? Um ‘templo do Espírito Santo’(1ª Coríntios 6:19)”. — Argumento extraído de As Testemunhas de Jeová refutadas versículo por versículo, de David Reed, Juerp, pp. 89, 90.

Textos e termos mal aplicados ao Espírito Santo

Mateus 3:11 – João Batista disse que Jesus batizaria com o Espírito Santo, assim como ele batizava em água; portanto, assim como a água não é pessoa, tampouco seria o Espírito Santo. 

Refutação: É possível ser batizado numa Pessoa, sem que ela perca sua identidade pessoal, por exemplo:
Romanos 6:3 (batizados em Cristo/batizados em sua morte), Gálatas 3:27 (batizados em e revestidos de Cristo) e 1ª Coríntios 10:2 (batizados em Moisés).

b) 2ª Coríntios 6:6 – O Espírito Santo é incluído entre várias outras qualidades, o que indicaria que não se trata duma pessoa (Efésios 5:18; Atos 6:3; 11:24 e 13:52)

Refutação: Em Gálatas 3:27 e Colossenses 3:12 insta-se às pessoas a ficarem revestidas de Cristo, assim como a se revestirem de qualidades como humildade, compaixão etc., sem que isso faça de Cristo uma “força ativa”.

c) Atos 2:4 – Os 120 discípulos ficaram cheios duma “força ativa” não duma pessoa.

Refutação:

Efésios 1:23 diz que Deus “preenche todas as coisas”, o que concorda com Atos 2:4.

Romanos 8:11 diz o Espírito Santo mora ou reside em nós, assim como Efésios 3:17 diz que Cristo reside em nossos corações, da mesma forma que João 14:23 também fala da habitação em nós tanto do Pai, quanto do Filho. Nada disso faz com que o Pai e o Filho deixem de ser pessoas.

d) Atos 13:12 – O fato de a Bíblia dizer que o Espírito Santo fala, isso não prova sua personalidade, pois outros textos mostram que isso era feito através de seres humanos ou de anjos.

Refutação: Atos 3:21 mostra que Deus não falou diretamente, mas por meio da boca dos seus profetas, assim como se diz do Espírito Santo (Atos 28:25).

Comparar Mateus 10:19, 20 com Lucas 21:14, 15 e Jeremias 1:7-9.

e) Lucas 7:45, Romanos 5:14, 21, Gênesis 4:7 – Estes textos mostram que coisas abstratas, como a sabedoria, o pecado e a morte são personificados; o mesmo se dá com o Espírito Santo.

Refutação: A Bíblia personifica a sabedoria, o pecado e a morte porque não são pessoas. No caso do Espírito Santo, Ele não é personificado, pois já é uma pessoa. É apenas simbolizado, assim como Jesus e Jeová:

Espírito Santo: Pomba (Lucas 3:22); línguas de fogo (Atos 2:3)
Jesus Cristo: Leão (Apocalipse 5:5); cordeiro (João 1:29); Porta (João 10:9); Videira (João 15:1)
Jeová: Fogo (Deuteronômio 4:24); sol (Salmo 84:11)

f) Atos 7: 55, 56 – Estevão só viu o Pai e o Filho, não diz ter visto o Espírito Santo.

Refutação: Estevão não podia ter visto o Espírito Santo pelo fato deste estar na terra cumprindo a sua missão, uma vez que fora enviado pelo Filho, que por sua vez fora enviado pelo Pai. Jesus disse que a menos que Ele próprio fosse embora, o Espírito Santo não viria. Assim sendo, quando Jesus voltou ao céu, enviou o Espírito, razão pela qual Estevão não poderia tê-lo visto. (Ver João 16:7, 8).

Pr. Luiz Antonio Ferraz
Ministério CACP / Sola Scriptura